sexta-feira

costelas

canela fina
pulso baixo
e as costelas, rá!
ai delas

cadência, amor
que cadenciado fica tudo mais gostoso
tudo mais bonito
é peneira
pra ver quem samba no tempo
quem sustenta a pisada

iê, camarada! 
quando foi mesmo que me visse assim?
canela fina
taquara vergada
sorriso pilantra
os olhos mansos de quem vê por cima
caminho sem estrada
porta sem tranca

ah, mano velho
disseram que amar e ser feliz é questão de escolha
começa na gente
vagueia, vagueia, vagueia e 
termina na gente
sabe aquela sua pior parte? a menos querida, a tão escondida
acolha

e sejamos nós o primeiro e último motivo de graça dos dias
o indecoroso genuíno
a melhor piada
nossa postura inadequada
desde menino
o que de nós a gente de cara entrega
graça que rega
porque não é sério
não, nunca foi
sequer houve a pretensão

é o que resta
grão de areia que amontoa
a sobra tola
que não coube 
e ficou de fora da operação
a terceira casa depois da vírgula
a dízima preguiçosa
mas muito preguiçosamente periódica
a se repetir miúda
que é miúdo que a gente pensa
é miúdo que a gente sente
e é miúdo que a gente acaba por ser

canela fina
de tanto andar
de tanto amor de andar
que chegar ta mais pra consequência que pra vontade
dá nisso
rir de si antes de mais nada
e depois de tudo é besteira
e besteira também é serviço
a si, a nós, ao mundo
sorria, malandro! 
não espere haver condição

e se pintar a tristeza 
se for ruim de descer 
se for ruim de engolir
a gente frita ela na manteiga
salpica pimenta e depois pinga um limão

a gente que
de tanto andar inadequado
teima na pilantragem do amor
porque escolheu ser feliz
ainda que preguiçosa e periodicamente
repetidas vezes
no ritmo genuíno
na cadência miúda
que cadenciado fica tudo mais bonito
tudo mais gostoso
inclusive a tristeza
que a gente de cara entrega
graça que rega
que começa na gente
vagueia, vagueia, vagueia e
termina na gente

o pulso baixo
e as costelas
rá!
ai delas


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