segunda-feira

patifaria

Todo poema é uma assertiva contra a mesquinhez
é dispor-se
porque a poesia...
a poesia será o que tiver de ser no peito da gente, como sempre foi
na mente, por sobre os ombros
nas palmas das mãos e nas solas duras dos pés, no umbigo
no ventre, por favor,
por favor um café quente
grosso de cortar com faca
puxe uma cadeira, assente-se
e conte uma mentira que seja, mas das boas
dessas que a gente vira e mexe se apega, se apaixona
não só por conveniência
que paixão e conveniência dificilmente se dão

um brinde, irmão,
uma ode à patifaria da vida
que se espraia
cozida nas mentes, servida nos corpos
que amam, correm, dançam, abraçam, caem,
e morrem
não necessariamente nessa ordem, mas
geralmente sem ser necessário, sem precisão
como o poema

que pode ser uma sacola de laranja
que rasga no meio da rua com o sinal prestes a abrir
ou no ônibus cheio quando chega a curva,
a roupa do rei nu,
ou a crise de soluços na conclusão da defesa
pausa, tropeço,
pedra no caminho, na contramão,
atrapalhando o tráfego
atrapalhando o fluxo
fôlego pra terminar a frase longa e sem pontos ou vírgulas
como as que me vem
quando você passa
ou quando o árbitro marca contra o meu time
patifarias, meu filho
tudo patifaria!
coisa besta, sem valia
de um nada por propósito, vazia
mas que mexe, vira,
vira e mexe na gente, alma vadia
dizia o mestre
"o mundo não dá a ninguém inocência
nem garantia"


2 comentários:

Thales Rafael disse...

Muito provavelmente minha favorita. Só o primeiro verso já é um achado dos mais categóricos. E o resto é achar a danada da poesia no saco furado e no pênalti contra.

Olho clínico pra patifaria! Tá enraizada no teu estilo. Muito marcante poesia. Dá pra ver de longe.

Thales Rafael disse...

Muito provavelmente minha favorita. Só o primeiro verso já é um achado dos mais categóricos. E o resto é achar a danada da poesia no saco furado e no pênalti contra.

Olho clínico pra patifaria! Tá enraizada no teu estilo. Muito marcante poesia. Dá pra ver de longe.