segunda-feira

de conhecer

Meu amigo
você não tem que me provar nada que
eu mesmo nada tenho pra te provar de volta
a gente não se explica, amigo
quando muito, se compreende
e mal
nesses tantos dias prontos a aguardar
esses tantos dias prontos
e ponto
com o final que se afasta e se afasta até
que se farta e
encerra
sem erro, prenúncio, sem cena, sem nada
sem prefácio, sem profeta,
sem tempo pra crise, pra guerra, o final e a mochila de vazio que traz consigo
e joga no nosso colo, a pós-meta
esse vazio de tanto nada que pesa
não pesa, amigo?
apesar destas e outras, aquelas e as que virão
a pesar
a cingir, a balbuciar, a
restringir o
frêmito, o berro, o latido latente
a gana premente, o ganido de, quem sabe, um ser reluzente
que se esconde, mas também se expande
o horizonte ainda sombrio e escuro, mas adiante,
o desejo e a pressa e a contingência do instante
um livro na estante e as palavras, palavras e palavras
Sigamos atentos, amigo
às sabotagens que impingimos a nós mesmos
nós que nos gabamos, nós que corremos o mundo
que compomos canções, que tiramos lições
e que levamos a vida ordinária de tantos outros como
nós que nos distraímos em frações de segundo
Às vezes me parece, mas só parece
que o problema do mundo é ter mais certezas que amigos
não acha?
eu também não, só às vezes
que eu também não sou lá muito bom com certezas
também não sou lá muito bom com o mundo e
convenhamos, o mundo também não é lá muito bom,
só às vezes
Sigamos, amigo
que pelo visto é o que nos cabe
mas não a eles,
eles que a gente bem conhece
eles não, que é isso que esperam, ou melhor,
é com isso que contam
e a gente nunca foi pra se contar, amigo
pro bem ou pro mal, nunca fomos, admita
a gente não se explica
quando muito, se compreende
e mal
Sigamo-Nos
que pelo visto é o que vale.