sábado

Fumaça

E se não fossem, Romero, os tantos impérios
tantos ditos, mitos, ritos,
quantas leis, outorgas, veredictos. E se não fosse, Romero?
não fossem os santos critérios para tantos mandatos
solenemente escolhidos, definidos e benzidos
em atos
Celestialmente aprovados, remidos de fato.
Conselhos, concílios, conclaves, com toda lisura e as paredes de ouro rubro.
Se não fossem, Romero, tantos muros,
as bandeiras, a santa fé, a santa madre, a santa igreja
Não fossem os bruxos, não fossem as fogueiras. Veja, Romero,
a gente atulhada nas praças,
as forcas, as preces, as graças, Romero.
As ciências, as tribos, os livros, as traças.
Não fossem os cavalos e a eucaristia,
os templários, as marias, o oriente e os guias, o que seria, Romero?
Os castelos, os templos,
as terras, os tronos, e se não fosse Trento?
E se não fossem os deletérios da Babilônia, os Sumérios, a Macedônia, Constantinopla, e se não fosse Jerusalém? Amém, Romero.
Não fosse César, não fosse Paulo ou Pedro,
Francisco, Bento ou João,
Não fossem os sãos, não fosse o medo.
E o poder, Romero,
se não fosse, Romero?
E se não fosse
 

terça-feira

mansa

Vem, menina, pode vir
Achegue-se. Assim mesmo. Pode ser
Devagarinho, mansa
Como quem não quer nada
que não é de muito que se precisa.
Isso. Uma por uma.
Sem esforço ou trauma
sem pressa
Sementes vulgares dispersadas pelo vento
caem dos galhos quando os frutos já não são fortes ou
quando a seiva amarga.
Ainda assim, vem
que a terra é quente e úmida
Germina e cria raiz nesse monte de terra solta
que é para a gente ver flor bruta na poeira.
Cresce mais um bocado, e dá outras tantas flores
Até que não sejam mais bonitas
ou não tenha frutos tão sadios.
Então que caiam de novo as sementes
gentis, assim
Devagarinho, mansas
Como quem não quer nada
que não é de muito que se precisa.