quinta-feira

Só não vale dançar homem com homem e nem mulher com mulher


"Na realidade, a conclusão que tiramos é que nunca é fácil o enfrentamento com as elites, seja no Maranhão ou no resto do país. A gente tem clareza quanto a isso. Nós vamos continuar lutando através dos nossos advogados. Vamos tomar todas as medidas que a legislação nos permite. Por outro lado, não vamos nos furtar às nossas responsabilidades e faremos tudo aquilo que estiver em nosso alcance para que o Brasil conheça a realidade que esse caciquismo de 40 anos impõe ao nosso Estado. Seguramente, boa parte das lideranças, da população e das organizações vai continuar na expectativa de êxito das ações dos nossos advogados. Vamos ficar atentos."
Jackson Lago, governador do Maranhão


Eu não queria falar dele! Eu juro que não queria! Eu juro pela minha tia-avó morta atrás da porta com uma caneta de sete cores atravessada no esfíncter que resisti até onde agüentava. Mas não dá. Ele me atenta, me provoca, me tira do sério! Quando todos pensavam que ele estava a sete palmos das urnas eleitorais, depois que finalmente o feudo, digo, Estado do Maranhão conseguiu mudar o sobrenome de seu governador, eis que, como uma Fênix Birigüiense, ele ressurge das cinzas, ou melhor, do Amapá. José Sarney é eleito senador pelos nortistas e, ao estilo punk-folk do Matanza, chega com “Pé na porta e soco na cara” tomando Brasília de assalto (literalmente). Não satisfeito, nosso querido ex-presidente da República é eleito por seus comparsas, digo, colegas para o cargo de Presidente do Senado.

Como vivemos num país onde quase 70% (estou sendo bonzinho) das pessoas que se interessam por política se interessam, antes, pelo bônus financeiro que ela pode proporcionar, e onde boa parcela da população não tem acesso ou mesmo tem preguiça de buscar informação, aí vão alguns esclarecimentos: Nosso querido representante do Amapá (adoro piadas prontas) agora será responsável pelo gerenciamento de 2,7 bilhões de reais, além de ter direito a outros benefícios como direito a carro, residência oficial e a contratação de até 38 cargos comissionados. Além disso, tem a atribuição de controlar a pauta de votação da Casa, decidir o que será votado pelo plenário, orientar as discussões e, ainda, resgatar projetos que estiverem parados em comissões. Pode também influir na instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) e na impugnação de proposições, além de comandar as sessões conjuntas das duas Casas (Senado e Câmara dos Deputados), pondo em votação medidas provisórias e vetos presidenciais. Funções muito convenientes para quem tem um filho (Fernando Sarney) investigado pela Polícia Federal e com prisão decretada pelo Ministério Público Federal por, entre outros crimes, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e fraude em licitação.

Passada esta longa introdução sobre o atual posto do Don Corleone dos trópicos, atentemos às notícias da semana. Terça-feira, 1:30h, o Tribunal Superior Eleitoral decide pela cassação de Jackson Lago (PDT), então governador do Maranhão, sob as acusações de abuso do poder político e compra de votos nas eleições de 2006. Mas quem diabos é Jackson Lago? Bem, pra ser sincero pouca gente sabe muito sobre o tal garoto abusado, de 74 anos, que conseguiu a façanha de “livrar” o Maranhão de 40 anos de família Sarney. O médico e ex-prefeito da capital São Luís, apoiado por movimentos populares, derrotou a senadora, ex-governadora e ex-objeto de escândalo eleitoral (vide eleições presidenciais de 2002) Roseana Sarney e assumiu o posto de governador maranhense. Acontece que, como alegria de pobre dura pouco (dá-lhe clichê!), mal largou a teta do Governo, a quadrilha Sarney subiu nas tamancas e foi chorar nas barras da saia do TSE.

Como na terra de Cabral desgraça pouca é besteira, o clã Sarney, coincidentemente dono de uma transmissora da Rede Globo, que representa nada mais nada menos que o maior empreendimento midiático do território maranhense, cumpriu a lição de casa, fez uma cosquinha no Judiciário, e mais uma vez detém as rédeas da política dentro de seu grande latifúndio apelidado por alguns de Estado. E engana-se você que pensa que arrancaram o velhinho do cargo e pronto. Quando um governador (e seu vice) tem o mandato cassado, restam duas opções: a primeira consiste na realização de uma nova eleição para que a população escolha o seu representante, e a segunda, na substituição automática pelo segundo mais votado no último pleito, que, por pura e transparente sorte do destino, nos conduz diretamente à figura de Roseana Sarney. Após votar pela cassação, os ministros do TSE deveriam optar, então, por alguma das duas alternativas. Te dou três segundos para pensar e um urso de pelúcia rosa que diz “mamãe estou com fome” se adivinhar qual foi a decisão dos senhores ministros.

Mas nem tudo está perdido! Afinal, toda decisão do TSE pode ser revista pelo Supremo Tribunal Federal (caberia algum sonzinho celeste como o da abertura dos Simpsons nesse momento) caso alguma das partes motive. Só que espera um minuto... quem é mesmo o presidente do STF? Ah, o Gilmar Mendes. Puta que pariu! É incrível como tudo nesse blog gira, anda, dá um rolé, joga uma peladinha, toma uma cerva e termina no Gilmar Mendes. Só pode ser carma! Como sempre, rápido no gatilho, (Daniel Dantas e o Oportunitty que o digam), Gilmarzinho, um dos maiores embaixadores da direita no Judiciário que esse país já presenciou, adiantou que em casos como este o STF costuma acatar as decisões do TSE. Uma posição moderada, imparcial e pouco conveniente, diga-se de passagem.

Bem, a novela segue. Mais uma vez cacique Sarney e sua tribo gravam seus nomes nas placas do governo do Maranhão.